Brasil:indíos do Roraima constroem solidariedades (entrevista com Pierlângela da Cunha)

Em 15 de Abril de 2005 o Presidente do Brasil, Luís Inácio da Silva, homologou a Terra Indígena Raposa/ Serra do Sol.

Para as várias comunidades índias que viviam naquela território do Estado do Roraima, junto à fronteira com a Venezuela, foi o culminar de um difícil e conflituoso processo iniciado em 1970.

Em 1992 a sua situação piorou com a chegada de fazendeiros brancos – seis, para sermos precisos - que ocuparam terras indígenas, dedicando-se ao cultivo da soja e do arroz - daqui o serem chamados de “arrozeiros”.

A homologação presidencial, porém, não representou o fim do combate. Os “arrozeiros” - através do governo estadual do Roraima, que dominam - recorreram para o Supremo Tribunal Federal, o órgão judicial máximo do Brasil, que suspendeu a retirada dos fazendeiros.

Se o Supremo Tribunal se pronunciar a favor dos arrozeiros, abre-se um precedente gravíssimo que porá em causa homologações de outras áreas indígenas já demarcadas e protegidas, não só da Amazónia mas também de todo o Brasil. Espera-se que o Supremo tome uma decisão em Agosto próximo.

Visando criar um movimento de opinião internacional, uma delegação das comunidades indígenas, constituída por Pierlângela Nascimento da Cunha e Jacir José de Souza, deslocou-se à Europa, tendo percorrido vários países e sido recebida pelo Papa.

Falámos com Pierlângela da Cunha, uma oportunidade para conhecer melhor esta luta.

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