Nova flotilha a caminho de Gaza

4 de Novembro de 2011
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Dois barcos, chamados «Tahrir» e « Saoirse», que constituem a flotilha chamada Freedom Waves to Gaza, estão a caminho de Gaza. Os civis a bordo são oriundos de cinco (ou 9?) países. Trata-se de outra tentativa não violenta de quebrar o cerco ilegal imposto pelo Estado de Israel a 1.6 milhões de palestinos de Gaza.

A organização de Freedom Waves to Gaza manteve-se secreta para evitar sabotagens por parte de Israel como aconteceu com a 2ª flotilha «Stay human» durante o verão passado. Para evitar que haja mais uma violação da lei internacional nestes barcos, pedimos que fiquem atentos e que, conforme os caso ou a situação:
  • Divulguem tanto quanto possível esta flotilha, pois o Estado de Israel poderá ser menos violento sabendo que o mundo está atento e com os olhos nela.
  • Pressionem as Nações Unidas e a comunidade internacional, tal como os Palestinos da Cisjordânia que irão fazer uma vigília na sede da ONU em Ramallah, exigindo uma acção rápida para proteger os civis a bordo dos barcos como o fim do cerco ilegal a Gaza.

É uma acção urgente, pois os barcos já se encontram em águas internacionais e a segurança dos tripulantes depende do apoio dado pela comunidade internacional.

Seguimos e permaneceremos Humanos!

Comité Palestina

A Europa contra a democracia

4 de Novembro de 2011
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A União Europeia foi originariamente criada em nome da liberdade e da democracia. Sim, nós sabemos, também foi porque os Estados Unidos e os seus aliados europeus viam então na construção deste bloco económico e político uma forma de equilibrar forças com o bloco soviético.

De tratado em tratado, e passadas a euforia e as ilusões suscitadas pela queda do muro de Berlim e pela implosão da URSS e dos outros países europeus do “socialismo real” (lembremo-nos das teses do “fim da História” fundadas na ideia da consagração que seria definitiva das democracias liberais como forma política do capitalismo triunfante), foi-se perdendo a retórica da democracia e do modelo social europeu, como características distintivas do novo sujeito político, substituídos pela submissão aos mercados financeiros e aos ditames da globalização neoliberal em nome da competitividade. Foi assim que se foi enterrando qualquer pretensão de legitimação democrática do processo de construção política europeia, à medida que as elites iluminadas o concebiam como causa demasiado complexa para ser deixada às aventuras e incertezas da democracia. Assim foram sendo afastados os referendos, essa praga perturbadora, ou feitas pressões inauditas e ilegítimas para que os cidadãos votassem simplesmente o que estava já decidido pelos poderosos, atingindo-se a quase perfeição na fuga ao debate e escrutínio democráticos com o Tratado de Lisboa que tanto comoveu Sócrates e demais bloco central de interesses como feito histórico e pedra angular na construção da nova Roma. Chegou a crise financeira e económica. Com ela estalou o verniz da diplomacia e a narrativa europeísta dos poderosos, enquanto a nudez crua de um deplorável casal (Merkel & Sarkozy) vem destruindo o manto diáfano da fantasia e o próprio projecto de construção europeia, agora à mercê do directório dos grandes interesses e das grandes potências europeias. Alguns politólogos de serviço olham para isto como sendo apenas a vitória do “realismo” na política. Só que este naufrágio que vivemos é pago com a vida e o sofrimento de muitos milhões de europeus, hoje gregos e portugueses, amanhã também espanhóis, italianos e todos os outros.

A decisão do primeiro-ministro grego em realizar um referendo no seu país, entalado entre a exigência da última cimeira europeia de mais um programa de austeridade e de um governo permanente da troika em Atenas que converteria o governo grego numa irrelevância, como condição de um perdão parcial da dívida (compensado com a recapitalização dos bancos, porque só as pessoas podem perder, o sistema financeiro não), e a rejeição social pela maioria dos gregos desta política, foi suficiente para fazer estalar todo o verniz e trazer à superfície a pulsão autoritária essencial do directório de interesses que está a destruir a União Europeia e a afundar a já reduzida credibilidade das suas instituições. Discursos ameaçadores e ofensivos para o Estado e o povo gregos, acompanhados de avisos insultuosos para que outros (como nós) não lhe sigam os passos. Recusa de transferência da prestação de “ajuda” que deveria ser entregue à Grécia por estes dias. Exigência de conversão do referendo para auscultar a vontade do povo grego de aceitar ou recusar o presente envenenado da última cimeira europeia em referendo sobre a continuidade ou saída da Grécia do euro. Chantagens várias quanto à saída da Grécia da zona euro e da própria União Europeia. Fartar, vilanagem. Valeu tudo para produzir o resultado desejado pelos “mercados”, pelo G20 e pelo casal Merkozy, de vergar o povo grego, anular o perigoso referendo à vontade popular e abrir caminho a que um governo de bloco central de interesses assuma o papel de capataz das grandes potências na Grécia. Tudo com a cumplicidade servil e masoquista dos mais pequenos que não desistem de ser “bons alunos”, como o governo português (e, sejamos justos, o PS), os quais não se cansam de proclamar cobardemente que somos “diferentes” dos gregos. Sempre em nome do velho e oportunista princípio de que enquanto o pau vai e vem folgam as costas e que algo podemos lucrar com a desgraça dos outros. Até nos chegar a vez. Como já lembrou Brecht num célebre e conhecido poema.

Não foram os referendos que puseram em risco o barco da União Europeia. Nem sequer é a crise económica e financeira que a destrói. É antes a resposta e as escolhas do directório das grandes potências e dos grandes interesses, que tomaram o partido dos mercados financeiros e da sua narrativa ultraliberal contra os seus próprios povos, em vez de usarem o poder e a política para os submeterem e controlarem. E que por isso estão a fazer naufragar o projecto europeu, a fazer renascer os demónios nacionalistas e xenófobos e a pôr em causa a possibilidade de construção duradoura nesta região de um sujeito político global e diferente com padrões sociais e políticos democráticos e com uma paz duradoura. Num continente que, não há muito tempo, foi o centro das duas guerras mundiais mais mortíferas da história humana e em que os povos passaram os últimos séculos a agredir-se e matar-se mutuamente.

São tempos em que a nossa responsabilidade cidadã é convocada como raramente foi nas nossas vidas. Para que não se cumpra a profecia de Marx de que a História se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa. E para que o significado grego de democracia, como “governo dos muitos”, seja recuperado e sobreviva à subversão em curso de governo das oligarquias.


Defender Juntos a Água de Todos – ATTAC apoia manifesto

4 de Novembro de 2011
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DEFENDER JUNTOS A ÁGUA DE TODOS I   Em Portugal foram removidas as barreiras constitucionais e legais à espoliação do bem comum que é a água e dos direitos das pessoas à sua fruição, em benefício de grandes interesses económicos privados. A privatização de facto verifica-se simultaneamente em várias frentes, que vão da captação da água na natureza, passando pelas margens e os leitos dos rios, pelos recursos pesqueiros marinhos, pelas infraestruturas...

ATTAC Portugal envia mensagem a companheiros alemães

4 de Novembro de 2011
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A ATTAC Alemanha estará na rua, no dia 12 de Novembro, junatamente com outras organizações sociais, para protestar contra a soberania do sistema financeiro. Berlim e Frankfurt são as cidades escolhidas para acção, na qual será lida a mensagem da ATTAC Portugal: Dear friends , We in Attac Portugal salude you for keeping up the fight against the austeritarism imposed on europe by Angela Merkel and the other leaders. The role Germany has been assuming in the leadership of this crisis makes...

ATTAC subscreve pedido de abertura de inquérito e de condenação pública da agressão policial

4 de Novembro de 2011
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Ver o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=zIT761aGauE&feature=player_embedded   Ao Ministério da Administração Interna (MAI) Ao Inspector-Geral da Administração Interna (IGAI) Pedido de abertura de inquérito e de condenação pública da agressão policial Exmos/as Srs/as, No dia 15 de Outubro de 2011, em São Bento, reclamávamos por uma democracia verdadeira, ao mesmo tempo que na Arrentela a actual democracia espalhava o terrorismo social, através da brutalidade e...

A gente vai continuar

4 de Novembro de 2011
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A Direcção do PS acaba de manifestar a sua irrelevância para a oposição política e social à governação actual. A decisão agora tomada de abstenção quanto à votação na generalidade do Orçamento de Estado mais destrutivo e anti-social desde o 25 de Abril, com o objectivo confessado de empobrecimento declarado do país e de conversão de Portugal num protectorado do casal Merkozy, retira ao PS capacidade de manobra e de pressão até para negociar eficazmente com a maioria as pindéricas propostas de pormenor que publicitou e com que pretende, no debate parlamentar na especialidade, disfarçar aquilo que fica cada vez mais à vista de todos:

A falta de comparência do PS nos trabalhos da oposição, que não certamente de muitos socialistas, a sua rendição ao dogma ultraliberal de que “não há alternativa”, e a sua escolha de continuar refém do “centrão”. O que empobrece e enfraquece a democracia, porque fragiliza a produção e o confronto de alternativas políticas que canalizem e exprimam o conflito social.

Mesmo considerando as culpas pesadas que o PS carrega quanto aos males actuais do país e o seu comprometimento no programa da troika, que pode justificar a decisão táctica de afirmarem desde já o seu apoio disfarçado a um orçamento que vai muito mais além, através desta abstenção? Como conciliam isso com a apresentação de algumas propostas na especialidade com que pretendem amenizar a dureza dos cortes anti-sociais previstos, e quando está em marcha a preparação de uma greve geral convocada conjuntamente pela CGTP e pela UGT tendo por causa primeira as medidas do Orçamento de Estado? Não é uma evidência que assim estão a fragilizar a capacidade negocial e de pressão sobre o PSD para que recue e negoceie na especialidade as medidas mais gravosas? Não é o mesmo que dizer ao Governo “estejam descansados, que isto é só para calar o pagode e a nossa má consciência”?

Mesmo no contexto das erráticas, cúmplices e equívocas posições do PS na actual crise, não seria mais eficaz que votassem agora contra na generalidade, para alargar o espaço de manobra e de negociação na especialidade e para que, com suporte no movimento de protesto social e laboral em curso e em convergência com a restante oposição, pudessem conseguir algum recuo da maioria de direita, reservando o seu voto definitivo para a votação global e final do Orçamento de Estado?

O PS vem assim dizer-nos que, excepto nos detalhes (que neste caso não são o diabo), estaria disponível para fazer no governo o mesmo que o PSD/CDS, que não tem alternativa política para oferecer aos portugueses nem quer ser parte da sua construção, que escolhe navegar nas mesmas águas da actual maioria e aspira a ser mais adiante parte de um governo de bloco central travestido de governo de salvação nacional. Tudo devidamente embrulhado no discurso respeitável e politicamente correcto da “responsabilidade”, da “coesão nacional” e do “interesse nacional”, e alimentado das cumplicidades e reuniões privadas de Seguro e Passos Coelho. Sem que publicamente o PS se deixe de queixar amargamente de ser maltratado e desconsiderado pela maioria governativa, assim substituindo compensando a fuga a discordâncias de fundo pelas discórdias na forma com que nos quer entreter.

Mas o conflito, a oposição e o movimento social contra este rumo político que pretende submeter por inteiro os povos, a política e a democracia aos criminosos mercados financeiros em rédea, não param por esta falta de comparência do PS.

Como canta Jorge Palma, “a gente vai continuar”. Com a “raiva a nascer-nos nos dentes”, como diz Sérgio Godinho. A converter a indignação e a cólera em energia positiva e a investi-la na busca da luz ao fundo do túnel e na construção de alternativas de esperança. Para que o cifrão não escravize e comande as nossas vidas.