Vamos ver quem sabe assobiar melhor

19 de Maio de 2012
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O Comunicado do Conselho de Redacção do Público, na íntegra. É de ler bem. Mas mesmo bem. E ver quem assobia para o lado.

 

COMUNICADO DO CONSELHO DE REDACÇÃO

A jornalista Maria José Oliveira pediu ao Conselho de Redacção que analisasse uma série de episódios ocorridos na passada quarta-feira, na qual o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, queixou-se ao jornal de estar a ser perseguido, ameaçando a jornalista e o PÚBLICO se fosse publicada uma determinada notícia, relacionada com o caso das “secretas”. A notícia não foi publicada.
O CR ouviu a jornalista, a editora de Política e os directores Bárbara Reis e Miguel Gaspar e, destas auscultações, entende considerar o assunto em duas vertentes: as ameaças de Miguel Relvas e a não publicação da notícia.

As ameaças

As ameaças foram confirmadas pela editora de Política, que recebera um telefonema de Relvas depois de Maria José Oliveira ter enviado ao ministro questões para uma notícia de follow-up às incongruências das declarações do governante ao Parlamento, um dia antes. Relvas terá dito que, se o jornal publicasse a notícia, enviaria uma queixa à ERC, promoveria um “black out” de todos os ministros em relação ao PÚBLICO e divulgaria, na Internet, dados da vida privada da jornalista. Estas ameaças foram reiteradas num segundo contacto telefónico.

A editora de Política afirma que, ao longo dos anos, sempre recebeu ameaças de governantes e sempre as tratou da mesma maneira, ignorando-as. De qualquer forma, a jornalista foi informada pela editora do teor da conversa com o ministro e ambas, a pedido da jornalista, levaram o caso à directora Bárbara Reis, que não atribuiu relevo às ameaças, por também lidar com situações do género com muita frequência.

Posteriormente, Miguel Relvas falou com Bárbara Reis, a contestar o conteúdo da notícia saída no papel naquele dia, sobre a qual a jornalista pretendia fazer um followup. A directora não interpelou o ministro sobre as ameaças feitas no telefonema à editora. Até ontem, quinta-feira, a direcção editorial não tinha tomado posição, nem feito qualquer diligência sobre as ameaças em si. Segundo a directora, é um assunto que tem de ser tratado com calma, e não “a quente”. O director Miguel Gaspar considera que o caso é grave e vai ser tratado pela direcção.

O Conselho de Redacção é da opinião que ameaças como aquelas, vindas de um dos ministros mais importantes do Governo e que, além disso, tem o pelouro da Comunicação Social, não deviam ter sido tratadas como se fosse um episódio normal, igual a tantos outros. Pelo contrário, o CR considera que as ameaças, cujo único fim era condicionar a publicação de trabalhos incómodos para o ministro, são intoleráveis e revelam um desrespeito inadmissível do governante em relação à actividade jornalística, ao jornal PÚBLICO e à jornalista Maria José Oliveira.

Mostram, ainda, uma grosseira distorção do comportamento de um governante que, ao invés de zelar pela liberdade de imprensa, vale-se de ameaças – um acto essencialmente cobarde – para tentar travar um órgão de comunicação social que cumpre o seu inalienável papel de contra-poder.
O PÚBLICO teve três oportunidades para lidar com as ameaças: no primeiro telefonema à editora de Política, numa segunda conversa telefónica com a directora e nas próprias páginas do jornal do dia seguinte, através de uma notícia, um editorial, uma nota da direcção, ou qualquer outra forma pela qual o PÚBLICO manifestasse o repúdio pelos actos do ministro, que é de manifesto interesse público divulgar. Os portugueses têm o direito de saber quem é e como age o seu ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, e o PÚBLICO tem a obrigação de revelar este triste episódio, no âmbito da cobertura que tem feito do caso das “secretas”.

Nada, no entanto, foi feito nem no dia em que as ameaças foram proferidas, nem no dia seguinte. Editores e directores têm toda a legitimidade para tratar dos assuntos sob a sua tutela de acordo com o seu modo e juízo pessoal. Mas, neste caso, o jornal falhou ao não repudiar imediata e publicamente a inaceitável atitude de pressão daquele que é considerado o “número 2” do Governo da República.

O PÚBLICO não pode nunca aceitar, calado, tal tipo de pressões e é lamentável que o tenha feito. Os elementos do CR irão estudar o caso com o advogado do jornal e com o Sindicato dos Jornalistas para definir acções futuras junto das entidades competentes.

 

A não publicação do artigo

O artigo que não chegou a ser publicado era um follow-up da notícia que apontava incongruências no depoimento de Relvas no Parlamento, publicada no papel naquela quarta-feira. Maria José Oliveira enviou ao ministro perguntas que não tinham sido feitas ou respondidas no Parlamento. O resultado foi uma notícia cujo “lead” era o de que o ministro se recusava a esclarecer ao PÚBLICO sobre as incongruências, acrescentando mais alguns detalhes sobre as mesas.

A editora de Política, antes de receber o telefonema do ministro, disse que não valeria a pena publicar a notícia no papel, pois não trazia nada de substancialmente novo em relação ao que já tinha sido escrito. A editora reiterou várias vezes ao CR que decidira não publicar no papel antes do telefonema de Miguel Relvas, com as ameaças. Não se opôs, de qualquer forma, que fosse publicada no online, porque o texto que constava na edição escrita do jornal (e onde eram já mencionadas as incongruências nas respostas do ministro) não estava disponível na edição electrónica.

Segundo a directora Bárbara Reis, a relevância do artigo levantou dúvidas desde o meio da tarde junto dos editores do online. A jornalista foi questionada várias vezes sobre a redacção da notícia ao longo da tarde e o próprio texto que saíra no jornal naquele dia foi alvo de reconfirmação, na sequência de um telefonema de Miguel Relvas à directora a dizer que a notícia era falsa. A direcção confirmou que a notícia já publicada no papel estava correcta.

Só já à noite é que o director Miguel Gaspar, a quem o assunto foi passado horas depois de ter sido discutido por editores e pela directora, decidiu não publicar a notícia. Miguel Gaspar disse ao CR que a decisão baseou-se única e exclusivamente na sua interpretação de que dizer apenas que o ministro não respondera ao PÚBLICO não era uma notícia – em consonância com opiniões já expressas pela directora e pela editora-substituta do online. A editora de Política, como referido, não se opôs à notícia sair no online, dizendo ao CR que não interfere na edição electrónica. Miguel Gaspar afirmou ainda ter sugerido à jornalista que continuasse a investigar o caso, fazendo eventualmente um trabalho mais sistematizado, com mais dados, sobre as incongruências do ministro Miguel Relvas.
Os membros do Conselho de Redacção consideram que existia relevância noticiosa no texto de Maria José Oliveira, que fez o que qualquer jornalista deve fazer: não deixou cair a história e trabalhou para aprofundá-la, procurando esclarecimentos junto do ministro.

O CR é da opinião que, mesmo que os telefonemas do ministro não tenham tido aqui qualquer influência, a não publicação da notícia passará a imagem para fora, quando o assunto vier a tornar-se público, como é expectável, de que foi justamente isto o que aconteceu: que o PÚBLICO vergou-se perante ameaças do “número 2” do Governo.

Independentemente da mais-valia de se aguardar por um follow-up mais aprofundado, a publicação da notícia, juntamente com a divulgação pública das pressões do ministro, teria certamente evitado este possível dano na imagem de independência do PÚBLICO, imagem esta que o jornal tem o dever de preservar.

Bruno Prata
Clara Viana
João D’Espiney
João Ramos de Almeida
Luís Francisco
Luís Miguel Queirós
Ricardo Garcia
Rita Siza

http://img.rtp.pt/icm/noticias/docs/ee/ee658dd86139186b5723e350bf4bb786_51e4a3377ce391736d03a3e7bac9bd0e.pdf


O azar (?) de JPMorgan

18 de Maio de 2012
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O banco JPMorgan Chase anunciou há dias perdas muito elevadas, da ordem dos dois mil milhões de dólares, como resultado de operações arriscadas, envolvendo a utilização de derivados, sendo estes instrumentos sofisticados que, teoricamente, funcionam como um seguro contra perdas potenciais de certas operações financeiras. 

Só que em vez dos lucros esperados o resultado foi o que se referiu e ainda podem vir a registar-se maiores perdas. 

Poderá parecer, à primeira vista, que se trata apenas de um caso de pouca sorte na gestão do risco, não se justificando grandes comentários, tanto mais que parece não ter havido incumprimento das leis. 

Porquê então o relevo que analistas financeiros e académicos internacionais estão a dar a este assunto?

Entre as questões que têm vindo a ser colocadas - ou melhor, relembradas - são particularmente sérias as seguintes: 

JPMorgan é um banco a que o governo federal dos Estados Unidos garante os depósitos dos seus clientes e, para além disso, a sua dimensão é de tal forma elevada que conta com o apoio implícito da Administração Federal (dinheiro dos contribuintes) para não falir, inserindo-se na categoria das instituições “too big to fail”. 

Esperar-se-ia, em contrapartda, a exigência de uma gestão rigorosa por parte dos responsáveis do banco, o que não aconteceu neste caso, e leva a que os analistas levantem a questão da capacidade de JPMorgan gerir adequadamente, no futuro, os riscos dos seus investimentos. 

Como Paul Krugman argumenta, o ponto importante não é que a aposta tenha corrido mal (com erros colossais e indesculpáveis de responsáveis do departamento de investimentos, em Londres, como disse o CEO do banco, Jamie Dimon), mas sim que instituições que têm um papel chave no sistema financeiro não as devem fazer, muito menos quando gozam de garantia de depósitos, que é afinal uma garantia governamental das suas dividas. 

Certo é que se estivesse em vigor e devidamente implementada a regulamentação do sector financeiro aquela situação não teria ocorrido.

Ora o banco JPMorgan tinha a reputação de ser um caso de gestão prudente, o que levou os seus pares a escolhê-lo como exemplo de que mais regulamentação seria desnecessária. Assim, Dimon tem vindo a encabeçar a feroz oposição, por parte do sector financeiro, à regulamentação, usando de sucessivos adiamentos e abrandamento das imposições, especialmente as decorrentes da chamada Regra de Volcker, concebida para evitar que os bancos realizem operações especulativas com o dinheiro dos seus depositantes .

O que está em causa não se limita pois a uma gestão imprudente por parte de um banco em concreto. Há que denunciar a pressão inaceitável por parte dos lóbis financeiros para que continuem a operar livremente, ou com um mínimo de limitações, que os competentes e audazes gestores contornam com facilidade e elevados lucros

O impacto da crise de 2008 que estamos e estaremos por largos anos a sofrer, torna inadiável avançar a sério com a regulação e supervisão financeira. 

Até quando se se vai contemporizar com o domínio irresponsável do mundo financeiro sobre os decisores politicos, com profundos reflexos negativos na economia e na sustentabilidade social?

Na senda de uma “economia verde”

18 de Maio de 2012
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Pelo menos desde o começo da década de setenta que muitos estudiosos vêm chamando a atenção para as questões da sustentabilidade ambiental mostrando, com evidência teórica e empírica, que estão a ser perigosamente ultrapassados limites de habitabilidade do Planeta. Isto em múltiplas frentes, nomeadamente no que respeita à produção de C02, ao esgotamento de recursos não renováveis, à destruição da biodiversidade, á acumulação de lixos e desperdícios não reciclados, à poluição de elementos naturais básicos como a água e o ar.

A estes justos alertas, se têm sobreposto os grandes interesses económicos e financeiros e, até ao momento, as sucessivas reuniões de alto nível que se têm debruçado sobre esta complexa problemática não têm sido capazes de encontrar soluções eficazes para prevenir e remediar as sérias ameaças de insustentabilidade ambiental à escala planetária. Mesmo as autoridades nacionais que têm assumido compromissos no sentido de adoptar algumas medidas positivas não raro caiem em situações de incumprimento das mesmas ou procuram enfrentá-lo através do mercado.
Decorre por estes dias mais uma Cimeira, Rio + 20. Se a esperança ainda resiste às experiências passadas, há que fazer pressão sobre os decisores que se reúnem no Rio para que não se verguem aos interesses instalados e à imediatez da lógica do mercado e instá-los a que tracem caminhos na senda de uma “economia verde”.

Além das questões ambientais propriamente ditas, o sistema económico e financeiro globalizado está visivelmente confrontado com a sustentabilidade social, uma vez que as disfuncionalidades que lhe conhecemos, nomeadamente o desemprego massivo, o agravamento das desigualdades e a pobreza, a obsolescência acelerada dos processos produtivos, a urbanização desordenada e a excessiva concentração urbana, etc., estão abrindo sérias brechas na coesão social, o que é também factor de insustentabilidade.

Em Relatório recente publicado pela OIT, o fomento da economia verde é apresentado como uma uma resposta “necessária e esperançosa para a recessão económica mundial, a elevada taxa de desemprego, as alterações climáticas cada vez mais alarmantes, a degradação generalizada do meio ambiente e a diminuição dos recursos incluindo a água potável.”
Sobre a economia verde, ver outro post neste blogue.

PROPUESTA DE RESISTENCIA EUROPEA PARA EL DEBATE SOBRE LA COMUNICACIÓN ENTRE #BLOCKOCUPY Y DRY/INDIGNADOS/OCCUPY

18 de Maio de 2012
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Resumen:
Este texto quiere explicar los antecedentes y la creación de la red #Blockocupy, una descripción de como los días de acción en Frankfurt han sido organizados hasta ahora, y quiere enfatizar la importancia de los movimientos internacionales que se están uniendo en el proceso de planificación.

En la reunión internacional de Milán, durante los días 30 y 31, se puso de manifiesto que ha habido una real y desafortunada falta de comunicación entre las más grandes redes de planificación transnacionales para el #globalmay. Por otro lado, los Indignados y Occupy tenemos planes para acciones globales enlazadas con acciones locales para el #12M15M. También hay una red de grupos y movimientos planeando acciones para los días de acción del #Blockocupy Frankfurt para mayo 16 al 19. Además, está la red que planeó el #M31 Día Europeo contra el Capitalismo. Después de Milan, nos gustaría tener la oportunidad de debatir más detenidamente sobre cómo mejorar la comunicación entre las redes del #12M15M y las del #Blockocupy. También trataremos de incorporar las del M31. Nuestro objetivo con este texto es compartir información sobre la Resistencia Europea con los Indignados internacionales y las redes Occupy y las asambleas que no se han extendido internacionalmente después de Milan, así como hacer sugerencias sobre como podemos mejorar esta comunicación y colaboración en el futuro.

Antecedentes y creación de la Resistencia Europea
Mientras que Occupy/Indignados y otras innumerables acampadas asociadas en toda Europa y el mundo emergían más o menos como movimientos espontáneos (inspirados por la Primavera Árabe) que se expandieron transnacionalmente como resultado de las políticas de empobrecimiento de las crisis, originando desempleo masivo, cierres y desalojos, y un severo y generalizado empeoramiento de las condiciones sociales, las redes detrás del 31M y #Blockocupy se desarrollaron en Alemania de manera menos espontánea y transnacional. Ums Ganze, la red anticapitalista detrás del M31 que se creó en 2006, y la Resistencia Europea, el nombre de la coalición que planeó el #Blockocupy, se han desarrollado como resultado de un largo pero lento proceso de desmantelamiento sistemático del bienestar social en Alemania, donde el desempleo, los cierres y los desalojamientos también se incrementaron desde el 2008, aunque en menor medida que en otras partes. La Resistencia Europea deriva de un amplio espectro de organizaciones diversas, desde anti-nacionalistas, anti-fascistas, y grupos sindicales, grupos autónomos, la post-autónoma izquierda radical, Occupy Frankfurt y activistas Occupy de otras ciudades, anti-racistas, anti-militaristas, anti-nucleares y justicia climática y colectivos, así como grupos y organizaciones de desempleados, ciertas facciones de los sindicatos tradicionales (verdi y grupos de izquierdas dentro de estos sindicatos), Attac, organizaciones de la izquierda moderada y finalmente ciertas facciones del partido de Izquierdas Alemán. Muchos de estos grupos, organizaciones y redes tienen una relativamente larga tradición y han estado involucrados con anterioridad, por ejemplo, en el movimiento de justicia global. Muchos de estos grupos también forman parte de las protestas del G8 de Heilingendamm en 2007, por ejemplo, y muchos están relacionados con el Euromayday y el Movimiento del Foro Social.

Planeando el #Blockocupy Frankfurt hasta ahora
En estos momentos, la red #Blockocupy se está unificando básicamente alrededor de la planificación de los días de acción #Blockocupy en Frankfurt, donde #Blockocupy se crea con la intención de ser el comienzo de un movimiento de solidaridad internacional y un movimiento anti-Troika en Alemania, así como el resurgimiento de una contra-hegemonía Europea que atraviese fronteras nacionales y una a actores antiguos y nuevos. La red se abrió y formó después de una serie de reuniones: primero en enero en Frankfurt, donde la gente vino de todas partes del Europa para discutir posibles acciones de cara a Mayo. En la reunión de enero se puso fecha a “conferencias de acción”, abiertas a todos los grupos y personas que querían ser parte de la organización y con la intención de ser una asamblea internacional. Se enviaron invitaciones abiertas a través de #takethesquares, Euromayday y otras listas, los días 24 y 26 de febrero en Frankfurt. Esta comunicación llegó a otros muchos lugares: la red internacional desde la reunión inicial en enero, incluyendo a las personas y grupos de Grecia, Italia, Eslovenia, Francia, Rumanía, Austria, Reino Unido y Bélgica – y algunas de estas personas y grupos también eran parte o tenían conexiones cercanas con los Indignados y Occupy. Aún así, la mayoría de las personas y grupos de la conferencia, y especialmente los que habían estado involucrados en la planificación desde la conferencia son de o principalmente activos en Alemania.

¡La red y organización para mayo continúan abiertos! Animamos a todo el mundo a ampliar la red, y nos comprometemos a permanecer anti-sexistas, anti-racistas y anti-fascistas. Deseamos colaborar más e incluso fusionarnos con el movimiento de los Indignados y la gente de Grecia, ahora dos centros de la #europeanrevolution.

Estructuras de trabajo específicas
En la conferencia para la acción de febrero, los grupos de trabajo formados para organizar los diferentes aspectos de los días de acción: bloqueo, movilización, redes internacionales, programa, manifestación. Actualmente, los grupos abiertos en Frankfurt y Berlín están trabajando en todas estas áreas. Desde estos grupos, un “círculo de coordinación” se ha formado. Además de estos grupos de trabajo, las diferentes organizaciones que comprenden la red tienen sus propias reuniones.

Hacia un común y más fuerte #globalmay

Desafíos geográficos
Las reuniones físicas han sido necesarias para planificar las acciones de mayo, y muchas de las estructuras de planificación hasta este momento han sido en Alemania. Ha sido importante que las personas que están en Frankfurt estén involucradas en la organización de las infraestructuras para los días de acción, así como también es crítico que las personas con experiencia en policía y estructuras legales en Alemania estén presentes en las acciones. Al acercarse mayo, esas estructuras deberían abrirse para una implicación internacional. Esto ya se prevé y se espera por todos los grupos organizativos, y ha empezado ya.

#Blockocupy Frankfurt y 12M15M
La idea de tomar la decisión de no hacer la Acción de Frankfurt durante los días 12 y 15 de mayo fue porque #Blockocupy recogería las acciones planeadas para el #12M15M, que también tendrán lugar en Alemania.

En términos de como se entiende la crisis, la perspectiva de los grupos involucrados en #Blockocupy es muy internacional. Y muchos de estos grupos de nuestra red tienen contactos internacionales – por ejemplo, grupos antirracistas en Alemania han tenido contactos desde hace mucho tiempo con grupos antirracistas de toda Europa, grupos que antes trabajaron en el Euromayday tienen contactos Mayday, etc. Aún así, estos contactos no cubren el espectro que los Indignados/Ocuppy cubren a nivel internacional. Por estas razones, los Indignados/Occupy tienen un significado diferente en Alemania que, por ejemplo, en Grecia o España.

Nos gustaría expresar que #Blockocupy quiere ser una red abierta – tanto en organización y en los días de acción mismos- y que queremos expandirnos. Participación internacional e intercambio son esenciales. Nosotros sentimos especialmente que debería haber más activistas de los movimientos españoles, portugueses y griegos presentes en las estructuras de organización.

Nota - retirado daqui: http://acampadabcninternacional.files.wordpress.com/2012/04/blockupy-frankfurt-comunicacic3b3n-international.pdf

Desfez-se o enigma

16 de Maio de 2012
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No passado dia 11 os mediadivulgaram, em abundância, uma declaração na qual se afirmava: “Estar desempregado não pode ser para muita gente em Portugal, um sinal negativo. Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade”

Para muitos, ao tomar conhecimento da declaração, a surpresa foi grande e as reações não se fizeram esperar. O que surpreendeu foi o conteúdo da declaração que quase abafava a personalidade do seu autor. As pessoas interrogavam-se: como é que na situação atual, da economia e sociedade portuguesas, em que o número dos desempregados já ultrapassou o milhão, se pode dizer a alguém, numa situação de desemprego, que está perante uma grande oportunidade para mudar de vida?

Alguns interrogavam-se mesmo sobre se o autor da declaração teria alguma vez falado com um desempregado. Ninguém compreendia qual o significado de uma tal declaração. Permanecia um grande enigma. Eu também, durante alguns dias, fiquei atónito.

Surpreendentemente o enigma desfez-se. Houve um amigo que me soprou ao ouvido que não havia nada de mal com a declaração, porque o seu autor não queria mais do que partilhar com os ouvintes as angústias quanto ao seu futuro. Fiquei esclarecido e menos preocupado. 

Desejo-lhe o maior sucesso nas oportunidades que, para poder mudar de vida, vier a encontrar.

Catastroika: um documentário para compreender o caos da crise

16 de Maio de 2012
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Como refere o portal da Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública (IAC), apresentando a versão legendada em português do documentário – Catastroika – realizado pela mesma equipa que foi antes responsável por outro esclarecedor documentário sobre o garrote da dívida utilizado pelo capitalismo financeiro como arma de dominação e de desigualdade (Dividocracia – ver aqui),

O novo documentário  faz um relato avassalador sobre o impacte da privatização massiva de bens públicos e sobre toda a ideologia neoliberal que está por detrás. Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, obviamente, na Grécia, em sectores como os transportes, a água ou a energia. Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy.

De forma deliberada e com uma motivação ideológica clara, os governos daqueles países estrangulam ou estrangularam serviços públicos fundamentais, elegendo os funcionários públicos como bodes expiatórios, para apresentarem, em seguida, a privatização como solução óbvia e inevitável. Sacrifica-se a qualidade, a segurança e a sustentabilidade, provocando, invariavelmente, uma deterioração generalizada da qualidade de vida dos cidadãos.

As consequências mais devastadores registam-se nos países obrigados, por credores e instituições internacionais (como a Troika), a proceder a privatizações massivas, como contrapartida dos planos de «resgate». Catastroika evidencia, por exemplo, que o endividamento consiste numa estratégia para suspender a democracia e implementar medidas que nunca nenhum regime democrático ousou sequer propor antes de serem testadas nas ditaduras do Chile e da Turquia. O objectivo é a transferência para mãos privadas da riqueza gerada, ao longo dos tempos, pelos cidadãos. Nada disto seria possível, num país democrático, sem a implementação de medidas de austeridade que deixem a economia refém dos mecanismos da especulação e da chantagem — o que implica, como se está a ver na Grécia, o total aniquilamento das estruturas basilares da sociedade, nomeadamente as que garantem a sustentabilidade, a coesão social e níveis de vida condignos.

Se a Grécia é o melhor exemplo da relação entre a dividocracia e a catastroika, ela é também, nestes dias, a prova de que as pessoas não abdicaram da responsabilidade de exigir um futuro. Cá e lá, é importante saber o que está em jogo — e Catastroika rompe com o discurso hegemónico omnipresente nos media convencionais, tornando bem claro que o desafio que temos pela frente é optar entre a luta ou a barbárie.

Ver, meditar e divulgar. Um bom ponto de partida para um combate mais esclarecido às inevitabilidades, ao pensamento único e ao caminho do empobrecimento, da desigualdade e do retrocesso civilizacional propostos pelos adeptos da austeridade neoliberal